As múltiplas significações das vestes nos conduz à compreensão de culturas diversas, revelando identidades e expressando peculiaridades da condição humana em uma dada época. Proteção, defesa e o simples cobrir constituem a função primária da vestimenta; enquanto sua função secundária agrega o utilitário, sendo mais elevada em dignidade – os trajes possuem uma dimensão simbólica que ultrapassa sua mera utilidade prática: mais do que cobrir e proteger o corpo, eles revelam a situação, o estilo e a mentalidade de quem as vestes. Valendo-se disso, a trajetória dos paramentos sugere interpretações que passam pelos estados mais íntimos da alma sacra ao simbolismo leigo e profano. A exposição proposta irá mostrar uma história que passa pela semântica das vestimentas no Novo Testamento, desvelando as vestes litúrgicas após a paz constantiniana, a época carolíngia e a Renascença e seu fervilhar de novos sinais, e ainda o século XIX que focou o simbolismo medieval.
As vestes sagradas manifestam, pois, a espiritualidade clerical materializada, sendo dispostas em uma exposição que atestará a importância de tais vestimentas e o ato celebrativo realizado com elas, a expressão mais completa de amor, beleza, doação e caridade, elementos imprescindíveis na comunidade cristã, são enfatizados. O outro é, assim, pautado, traduzindo os serviços para com Deus e com o próximo, evidenciando as funções sociais advindas dos museus que, promovendo ocasiões tais como a desejada, dá clarividência a uma cultura de fé e caridade, conservado um patrimônio conhecido por poucos. A sociedade passa a compreender sua realidade, os simbolismos de crenças e a própria condição humana em uma dada época.
A utilidade social dos museus é uma função da quantidade de vínculos que estes podem estabelecer entre a atualidade e o passado. As instituições museológicas, diante disso, aproximam-se da comunidade, gerando uma inclusão social, evidenciando a importância de se produzir o conhecimento na ação, atuando através de uma rede integrada entre as diversas áreas do conhecimento, tomando como referencial básico o patrimônio cultural.
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